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    - Atualizado em 19/03/2017 13h53

    "Qualquer candidato na legislação anterior pedia ajuda. Foi assim na nossa campanha", diz Colombo

    Em entrevista, governador de SC fala sobre sua citação na operação Lava-Jato

    Em entrevista, governador de SC fala sobre sua citação na operação lava-jato

    Foto: Felipe Carneiro /Agencia RBS

    Cansado, mas de alguma forma também mais aliviado.

    Assim o governador Raimundo Colombo nos recebeu no início da tarde desta sexta-feira para uma entrevista exclusiva no seu gabinete na Casa d'Agronômica. Por 45 minutos, falou sobre o suposto caixa 2 na campanha eleitoral, o desgaste político por conta da Lava-Jato e reafirmou sua inocência.

    O Visor falou com uma fonte que teve acesso ao processo com a transcrição do texto do delator da Odebrechet que cita Colombo. No depoimento, o executivo diz que conversou com o então senador e pré-candidato ao governo de SC no saguão do aeroporto em São Paulo. O encontro foi em 2010. Questionou se Colombo seria candidato ao governo e se tinha interesse em receber apoio financeiro. Ouviu que ainda não estava 100% certo, mas se confirmada a candidatura poderiam tratar sobre a doação via direção do partido. O delator finaliza dizendo que o diálogo encerrou-se ali sem contatos posteriores.

    "É um relato tão simplório que deveria estar no pequenas causas", diz a fonte com trânsito em Brasília.

    Apesar da contundente declaração de inocência, ainda não está claro se ocorreu algum tipo de doação não contabilizada. Em conversas reservadas de lideranças do PSD, o discurso é aquele de praxe do "todo mundo sempre fez".

    Agora caberá ao Superior Tribunal de Justiça analisar a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Ainda não está definido qual magistrado receberá a delação contra Colombo no STJ. Em tese, pelo princípio processual da prevenção, poderá ficar com o ministro Luis Felipe Salomão, que já analisa a situação de André Agostini Moreno, comissionado do governo do Estado também envolvido com suposto recebimento dinheiro da Odebrechet. Isso na teoria, porque está tudo sob segredo de Justiça e ainda nem saiu do STF

    Confira abaixo a entrevista com o governador Raimundo Colombo: 

    O senhor já foi notificado ou intimado a prestar esclarecimentos oficialmente à Justiça sobre caixa dois na Lava Jato?

    Não, nunca fui notificado de nada. Hoje (sexta-feira) constitui um advogado para que possa, inclusive, buscar informações. O que se tem até agora são estes vazamentos que incluem o meu nome e repercutem na imprensa. Nunca recebi um ofício e nem ninguém me procurou sobre este assunto.

     

    E teve caixa 2 na sua campanha?

    Primeiro é preciso esclarecer que a Odebrechet não tem nenhuma obra em SC desde que a gente assumiu o governo. Não tem nenhum contrato. O Estado nunca fez nenhum pagamento a esta empresa. Ela sequer disputou concorrência aqui. Portanto, não há nenhuma relação entre empresa e governo. A possibilidade de venda da Casan nunca existiu. Nós tínhamos no início do governo uma ideia de agilizar o setor de saneamento. Mas a Casan tinha um passivo trabalhista e previdenciário que tornava a companhia pouco atrativa. Depois nós conseguimos recuperar a saúde financeira da Casan com financiamentos. Aí não havia mais porque vender. Isso já foi resolvido em 2011.

     

    Mas foi ou não utilizado dinheiro não contabilizado?

    As pessoas sabem que candidatos pedem recursos para bancar a campanha. Procurei ver todos os relatos que nós temos e não consta nenhuma doação da Odebrechet. Agora, claro, qualquer candidato na legislação anterior pedia ajuda. E assim foi na nossa campanha. Mas os recursos utilizados estão lá na prestação de contas.

     

    Como o senhor encara o desgaste
    político?

    A pior parte é o desgaste emocional, porque você não sabe nem do que se trata. Quando você tem ciência do que está sendo acusado pode ser defender. E faz um ano que a gente tem sido citado. Algumas pessoas aproveitam isso. Mas acho este o melhor momento, porque está chegando no fim. Quando tivermos conhecimento oficial, poderemos dar os esclarecimentos necessários. Não houve obra nem pagamento nem venda da Casan. A verdade é que isso tudo está dentro de um processo de mudança do processo político. E eu apoio isso. Vai ser bom para o país. O modelo está errado. Eu não sou adversário dessa correção. Pelo contrário,  vou me empenhar pra ajudar nestas mudanças.

     

    A reforma política, por exemplo, voltou à pauta como espécie de tábua de salvação da classe política. Como fazer esta mudança de rota?

    Defendo o voto distrital há muitos anos, porque não precisa dinheiro pra conseguir o voto, mas propostas e serviços prestados à população. A melhor forma de fazer política é ser reconhecido pela comunidade pelo seu trabalho. O voto proporcional fortalece exatamente o dinheiro, aí vem os financiamentos de campanha e este cenário que está posto. E para qualificar o parlamento eu defendo o voto em lista. É claro que este mundo de partidos precisa ser revisto. Uma democracia não suporta essa confusão imensa. Tem que impor uma cláusula de barreira, proibindo as coligações proporcionais para que a gente tenha um número de partidos menor e democracia mais organizada. Do contrário, nós seremos as grandes vítimas. É preciso deixar claro também o financiamento de campanha. Antes você tinha recurso oficial e não oficial e era uma prática generalizada. Agora se limitou ao quase nada, tornando impossível fazer campanha. Então tem de construir um consenso: ou vai ser financiamento público, ou vai ser voto em lista. Alguma coisa que tire a gente dessa situação, porque senão o quadro tende a se agravar.

     

    E o projeto da anistia geral e irrestrita do Congresso. O senhor é a favor?

    Eu acho essa discussão desnecessária, porque a doação de campanha não era crime até a eleição de 2012 e isso está dito por todos os juristas e até pelas autoridades do poder judiciário. Não há a necessidade de anistiar porque não é crime. Corrupção e enriquecimento ilícito é outra coisa. Aí sim a Lava-Jato está prestando um grande serviço ao país.

     

    O senhor pretende ser candidato ao Senado em 2018?

    Não tenho dúvida que a hora em que a gente puder explicar e mostrar o que de fato aconteceu não haverá impacto negativo porque não houve nada que comprometa o governo de Santa Catarina. Isso eu garanto e ficará muito transparente. Agora, a classe política brasileira vive um momento muito difícil, mas se tem um sentimento para quem acredita no Brasil que não pode ter é covardia. Nós políticos precisamos dar mostras que temos capacidade de fazer boa política e com resultados para a população. É preciso que a sociedade participe mais do processo e não fugir dele. É claro que este desgaste é muito sofrido e muito doloroso. Mas a dor faz parte da evolução pessoal. Eu estou disposto a dar a minha contribuição. Tenho a consciência tranquila e preciso continuar tocando o governo sem deixar que isso afete a gestão. Nós temos um grande compromisso com Santa Catarina, com a recuperação da economia e geração de empregos.

     

    O senhor já definiu se e quando pretende se licenciar do cargo?

    Eu ainda não tenho definição sobre isso. Neste momento, toda a minha energia tem de ser para o governo vencer a crise. Estou me dedicando intensamente para superar esse processo pessoal, que é muito doloroso, e não deixar que ele afete o dia a dia do nosso trabalho. O segundo aspecto é garantir que a gente continue pagando salários em dia, toque as obras e mantenha a estabilidade do Estado. Evidente que o processo político está em curso, mas este é um ano para os pré-candidatos e partidos se prepararem. Essa disputa interna dos nomes vai no mínimo até o final do ano.

     

    E o senhor acredita na manutenção da tríplice aliança?

    A eleição mais importante de 2018 é para presidente da República. Ela vai influenciar decisivamente em todas as coligações. Cada partido tem a liberdade de defender o seu projeto. Nós estamos numa democracia. Lá na frente nós temos de ter pontes construídas e diálogo para ver qual o melhor caminho para SC e para o nosso grupo. Agora é hora de deixar todo mundo trabalhar, deixar as pessoas que querem se apresentar como candidatos detalharem seus projetos para lá na frente decidir com bom senso.

     

    Muitos entenderam que em recente evento do PSD o senhor defendeu a ruptura com o PMDB. É isso?

    Eu dei uma declaração de que nosso partido pode ter candidato ao governo do Estado, é uma aspiração legítima e o deputado Gelson Merísio tem meu apoio. Mas nunca declarei que romperíamos. As conversas continuam. Nos últimos 30 anos todas as eleições aconteceram assim. Cada partido deve escolher seu candidato e se preparar a eleição. Em junho do ano que vem a gente vai ter um cenário claro. Agora com tudo o que está acontecendo no Brasil, ninguém pode prever o que vai acontecer lá na frente.

     

     Como explicar o envolvimento de André Agostini Moreno no suposto recebimento de dinheiro?

    Fui informado pelo advogado que eles têm todas as condições de provar a inocência. E isso já estaria inclusive bem encaminhado, porque nem foi aberto inquérito. Eles têm segurança de que isso não ocorreu e que é uma situação que tem todos os elementos para provar a inocência e a Justiça. O senhor já foi notificado ou intimado a prestar esclarecimentos oficialmente à Justiça sobre caixa dois na Lava Jato?

    Não, nunca fui notificado de nada. Hoje (sexta-feira) constitui um advogado para que possa, inclusive, buscar informações. O que se tem até agora são estes vazamentos que incluem o meu nome e repercutem na imprensa. Nunca recebi um ofício e nem ninguém me procurou sobre este assunto.

     

    E teve caixa 2 na sua campanha?

    Primeiro é preciso esclarecer que a Odebrechet não tem nenhuma obra em SC desde que a gente assumiu o governo. Não tem nenhum contrato. O Estado nunca fez nenhum pagamento a esta empresa. Ela sequer disputou concorrência aqui. Portanto, não há nenhuma relação entre empresa e governo. A possibilidade de venda da Casan nunca existiu. Nós tínhamos no início do governo uma ideia de agilizar o setor de saneamento. Mas a Casan tinha um passivo trabalhista e previdenciário que tornava a companhia pouco atrativa. Depois nós conseguimos recuperar a saúde financeira da Casan com financiamentos. Aí não havia mais porque vender. Isso já foi resolvido em 2011.

     

    Mas foi ou não utilizado dinheiro não contabilizado?

    As pessoas sabem que candidatos pedem recursos para bancar a campanha. Procurei ver todos os relatos que nós temos e não consta nenhuma doação da Odebrechet. Agora, claro, qualquer candidato na legislação anterior pedia ajuda. E assim foi na nossa campanha. Mas os recursos utilizados estão lá na prestação de contas.

     

    Como o senhor encara o desgaste
    político?

    A pior parte é o desgaste emocional, porque você não sabe nem do que se trata. Quando você tem ciência do que está sendo acusado pode ser defender. E faz um ano que a gente tem sido citado. Algumas pessoas aproveitam isso. Mas acho este o melhor momento, porque está chegando no fim. Quando tivermos conhecimento oficial, poderemos dar os esclarecimentos necessários. Não houve obra nem pagamento nem venda da Casan. A verdade é que isso tudo está dentro de um processo de mudança do processo político. E eu apoio isso. Vai ser bom para o país. O modelo está errado. Eu não sou adversário dessa correção. Pelo contrário,  vou me empenhar pra ajudar nestas mudanças.

     

    A reforma política, por exemplo, voltou à pauta como espécie de tábua de salvação da classe política. Como fazer esta mudança de rota?

    Defendo o voto distrital há muitos anos, porque não precisa dinheiro pra conseguir o voto, mas propostas e serviços prestados à população. A melhor forma de fazer política é ser reconhecido pela comunidade pelo seu trabalho. O voto proporcional fortalece exatamente o dinheiro, aí vem os financiamentos de campanha e este cenário que está posto. E para qualificar o parlamento eu defendo o voto em lista. É claro que este mundo de partidos precisa ser revisto. Uma democracia não suporta essa confusão imensa. Tem que impor uma cláusula de barreira, proibindo as coligações proporcionais para que a gente tenha um número de partidos menor e democracia mais organizada. Do contrário, nós seremos as grandes vítimas. É preciso deixar claro também o financiamento de campanha. Antes você tinha recurso oficial e não oficial e era uma prática generalizada. Agora se limitou ao quase nada, tornando impossível fazer campanha. Então tem de construir um consenso: ou vai ser financiamento público, ou vai ser voto em lista. Alguma coisa que tire a gente dessa situação, porque senão o quadro tende a se agravar.

     

    E o projeto da anistia geral e irrestrita do Congresso. O senhor é a favor?

    Eu acho essa discussão desnecessária, porque a doação de campanha não era crime até a eleição de 2012 e isso está dito por todos os juristas e até pelas autoridades do poder judiciário. Não há a necessidade de anistiar porque não é crime. Corrupção e enriquecimento ilícito é outra coisa. Aí sim a Lava-Jato está prestando um grande serviço ao país.

     

    O senhor pretende ser candidato ao Senado em 2018?

    Não tenho dúvida que a hora em que a gente puder explicar e mostrar o que de fato aconteceu não haverá impacto negativo porque não houve nada que comprometa o governo de Santa Catarina. Isso eu garanto e ficará muito transparente. Agora, a classe política brasileira vive um momento muito difícil, mas se tem um sentimento para quem acredita no Brasil que não pode ter é covardia. Nós políticos precisamos dar mostras que temos capacidade de fazer boa política e com resultados para a população. É preciso que a sociedade participe mais do processo e não fugir dele. É claro que este desgaste é muito sofrido e muito doloroso. Mas a dor faz parte da evolução pessoal. Eu estou disposto a dar a minha contribuição. Tenho a consciência tranquila e preciso continuar tocando o governo sem deixar que isso afete a gestão. Nós temos um grande compromisso com Santa Catarina, com a recuperação da economia e geração de empregos.

     

    O senhor já definiu se e quando pretende se licenciar do cargo?

    Eu ainda não tenho definição sobre isso. Neste momento, toda a minha energia tem de ser para o governo vencer a crise. Estou me dedicando intensamente para superar esse processo pessoal, que é muito doloroso, e não deixar que ele afete o dia a dia do nosso trabalho. O segundo aspecto é garantir que a gente continue pagando salários em dia, toque as obras e mantenha a estabilidade do Estado. Evidente que o processo político está em curso, mas este é um ano para os pré-candidatos e partidos se prepararem. Essa disputa interna dos nomes vai no mínimo até o final do ano.

     

    E o senhor acredita na manutenção da tríplice aliança?

    A eleição mais importante de 2018 é para presidente da República. Ela vai influenciar decisivamente em todas as coligações. Cada partido tem a liberdade de defender o seu projeto. Nós estamos numa democracia. Lá na frente nós temos de ter pontes construídas e diálogo para ver qual o melhor caminho para SC e para o nosso grupo. Agora é hora de deixar todo mundo trabalhar, deixar as pessoas que querem se apresentar como candidatos detalharem seus projetos para lá na frente decidir com bom senso.

     

    Muitos entenderam que em recente evento do PSD o senhor defendeu a ruptura com o PMDB. É isso?

    Eu dei uma declaração de que nosso partido pode ter candidato ao governo do Estado, é uma aspiração legítima e o deputado Gelson Merísio tem meu apoio. Mas nunca declarei que romperíamos. As conversas continuam. Nos últimos 30 anos todas as eleições aconteceram assim. Cada partido deve escolher seu candidato e se preparar a eleição. Em junho do ano que vem a gente vai ter um cenário claro. Agora com tudo o que está acontecendo no Brasil, ninguém pode prever o que vai acontecer lá na frente.

     

     Como explicar o envolvimento de André Agostini Moreno no suposto recebimento de dinheiro?

    Fui informado pelo advogado que eles têm todas as condições de provar a inocência. E isso já estaria inclusive bem encaminhado, porque nem foi aberto inquérito. Eles têm segurança de que isso não ocorreu e que é uma situação que tem todos os elementos para provar a inocência e a Justiça. 

     

    Diário Catarinense