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    - Atualizado em 27/11/2017 19h10

    Delegada detalha investigação sobre morte da casal em Palhoça

    Quebra de confiança entre traficantes teria motivado assassinato que foi filmado e compartilhado nas redes sociais

    Delegada Raquel conduz a investigação

    Foto: Cristiano Estrela /Diário Catarinense

    A Polícia Civil de Palhoça descobriu as motivações e como aconteceu a morte do casal Thuane Gonçalves da Cruz, 20 anos, e Rudimar Muller, 18. Os dois foram assassinados de forma cruel, com socos e pauladas. Thuane também chegou a ser esfaqueada. Depois dos golpes, eles foram queimados ainda vivos e tiveram a cabeça decepada. Tudo foi filmado e divulgado pela internet.

    De acordo com a delegada Raquel Freire, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Palhoça, o crime foi motivado pela desconfiança de que Rudimar teria repassado informações sobre o tráfico para a polícia. No dia em que o corpo do rapaz foi encontrado, havia uma placa escrita "morreu porque é cagueta". A namorada dele, Thuane, não teria envolvimento com o tráfico, mas seria "simpatizante" de uma organização criminosa rival.

    Para a delegada, que concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira, os suspeitos armaram uma emboscada para o casal. Thuane e Rudimar foram abrigados na casa de um dos suspeitos cerca de uma semana antes do crime. Do dia 19 a 21 de novembro, o casal foi mantido em cárcere privado. Neste meio tempo, o suspeito e os outros membros da facção teriam se reunido para planejar o crime.

    O corpo de Rudimar foi encontrado carbonizado na manhã do dia 21 no bairro Pacheco, próximo à BR-101. O crime foi gravado pelos assassinos e compartilhado nas redes sociais. Nas imagens, aparece Thuane sendo queimada, mas o corpo permanecia desaparecido até sábado. Segundo a delegada, o casal foi executado em locais diferentes. De acordo com ela, Thuane foi levada para uma estrada de chão, numa região de mata, próximo à BR-282, em Águas Mornas, onde foi esfaqueada e queimada ainda vida. O facão usado no crime não foi encontrado.

    — Eles optaram por executar a moça em outro lugar e ainda mutilá-la para dificultar a ação da polícia e da identificação do corpo pelo IGP.  

    Inquérito deve ser concluído em dez dias

    Durante as investigações, segundo a delegada, foram identificadas cinco pessoas como suspeitas de cometerem o crime. Entre eles estão o mentor, a esposa dele, e o dono da residência onde as vítimas estavam abrigadas.

    Os suspeitos foram presos temporariamente durante uma operação conjunta com a DIC de Palhoça, Delegacia de Homicídios da Capital e participação do Instituto Geral de Perícias (IGP) na manhã de sábado. Naquele dia, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e cinco de prisão na casa dos suspeitos, no Alto do Aririú.

    Na residência em que as vítimas haviam sido abrigadas foram encontradas drogas, munições, dinheiro e informações de tráfico escritas em cadernos. Lá também estava um moletom e um shorts de Thuane. Um dos suspeitos, segundo a delegada, confessou o crime e apontou o local onde estava o corpo da garota. Todos já tinham passagens pela polícia.

    — Algumas coisas ainda estão em andamento, como apurar a conduta de cada um dos envolvidos. Mas as motivações dos crimes já foram esclarecidas. Pretendo concluir o inquérito policial em até 10 dias e pedir a prisão preventiva de todos.

    Diário Catarinense